Acordava todos os dias disposta a encarar a correria e o transito. Disposta a sorrir a quem lhe sorrisse, e cumprimentar a quem lhe cumprimentasse. Só não disposta a olhar pros mesmos bancos nem a entrar nas mesmas ruelas. Pois tudo lembrava oque ela queria esquecer. Assim então, seguia o mesmo rumo por outro caminho. Talvez uma rua a mais, uma rua a menos, não importava desde que o caminho mudasse. O coração partido costumava ser o único que a acompanhava pelas ruas toda manhã. E acho, sinceramente, que ela preferiria estar sozinha. Mesmo aparentando ser uma pessoa frágil ou sensível, aquela garota era forte e já tinha suportado muito mais do que achou que um dia conseguiria. Conseguia sorrir mesmo lembrando-se... Lembrando-se das promessas que foram quebradas, lembrando-se das brigas que não deveriam ter acontecido, lembrando-se dos erros que ela não deveria ter cometido e das coisas que ela não se importou em reclamar.
Era uma garota de bom raciocínio, no entanto, não conseguia pensar em um modo de tirar as lembranças da própria cabeça, era coisa demais e ela não sabia lidar. Ela desejava sair correndo, sem mais nem menos, só correr. Correr pra fugir do ar poluído, correr pra fugir dos interrogadores, correr pra fugir de si mesma. Tentava pensar numa maneira de fugir de seus próprios pensamentos, de seus próprios sentimentos. Pensou até em lobotomia. Sabe? Separar fibras nervosas... Aliviar a desordem no pobre cérebro... Mas é difícil organizar, ou limpar, o próprio cérebro. A garota era uma real incógnita. E também incognoscível. Não se pode transitar pelo intransitável. Não se pode descobrir oque não se permite ser descoberto.
E a garota era uma bola de indecisões, medos e inseguranças, com os quais muitas vezes não sabia lidar, mas mesmo assim mantinha a cabeça em pé. Encarando a correria, o transito. Sorrindo a quem lhe sorrisse. Cumprimentando a quem lhe cumprimentasse.
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