“Ei, vê se para de me rondar e me deixa em paz” foi o que
eu disse ao ver ele, vindo em minha direção. Não que ele estivesse realmente me
rondando, mas na minha cabeça, era o que acontecia. Eu ficava lembrando de tudo
que tinha acontecido entre a gente, todo o tempo... Foi tudo tão lindo. Sempre
achei uma pena que tivesse chegado ao fim, mas aceitava isso. Nos primeiros
dias, senti como se cada parte de mim estivesse completamente destruída, mas
com o tempo, foi passando.
“Eu não quero nunca mais ouvir falar de ti” foi o que eu
disse, quando de mim ele resolveu se afastar. Era a raiva do momento. A raiva
por estar perdendo a pessoa por quem mais rápido me apaixonei, a pessoa pra
quem jurei sempre estar lá. Aquela pessoa.
“Fique longe, saia daqui” foi o que eu disse, quando ele
tentou o ultimo beijo me dar.
“Saia de perto, vá logo embora” foi o que eu disse, não
consegui evitar. A raiva era enorme, mas o amor ainda estava lá. Ele não soube
valorizar.
“Tu é um baita mentiroso” foi o que eu disse, quando
lembrei que ele disse que pra sempre me amaria, que nunca me deixaria. Me
coloquei a chorar. Chorei e chorei, mais do que podia, mais do que deveria.
Chorei na frente dele, pelas costas dele. Quebrei nossa promessa. Mas todas as
promessas tinham sido quebradas naquele dia. Até as mais mórbidas.
“Por que não pergunta pra mim, se estou bem?” foi o que
eu disse, quando soube que ele perguntou de mim, pra uma amiga. Senti tanta
raiva na hora, que nem pensei... Na verdade, pensar era o que eu menos fazia
naquela época.
“Queria muito que tu conversasse comigo” foi o que eu
disse, quando já não aguentava mais da saudade... Tentei falar como estava meu
coração... Sufocado pelo amor que ele tinha deixado em mim, mas não consegui
ser ouvida.
“Lembro da tua voz dizendo que me amava... Por que tu me
deixou?” foi o que eu disse, quando vi que logo teria que gritar aos ventos o
que eu sentia. Eu não aguentava mais. Fui ignorada de novo, então desisti.
Hoje estou aqui, sem falar nada, quieta. E assim está
melhor. Sei que esse amor que vive em mim, nunca vai ir embora. Mas desde que
ele fique quietinho no canto dele, não me importo em ser seu abrigo.
O início do texto soava como uma locomotiva disparada em direção ao vazio ou algo parecido. A parte central, demonstrou os fatos reais e a dor ao sentir isso.. Tal dor que de tão grande, só poderia ser amenizada se posta em palavras. O fim.. Épico como eu esperava que fosse. Um abrigo de criaturas desconhecidas. Um conforto para as lágrimas. Um abrigo para quem não tem mais onde dormir.
ResponderExcluirSem mais. Parabéns!