sexta-feira, 12 de abril de 2013

After all...


“Ei, vê se para de me rondar e me deixa em paz” foi o que eu disse ao ver ele, vindo em minha direção. Não que ele estivesse realmente me rondando, mas na minha cabeça, era o que acontecia. Eu ficava lembrando de tudo que tinha acontecido entre a gente, todo o tempo... Foi tudo tão lindo. Sempre achei uma pena que tivesse chegado ao fim, mas aceitava isso. Nos primeiros dias, senti como se cada parte de mim estivesse completamente destruída, mas com o tempo, foi passando.
“Eu não quero nunca mais ouvir falar de ti” foi o que eu disse, quando de mim ele resolveu se afastar. Era a raiva do momento. A raiva por estar perdendo a pessoa por quem mais rápido me apaixonei, a pessoa pra quem jurei sempre estar lá. Aquela pessoa.
“Fique longe, saia daqui” foi o que eu disse, quando ele tentou o ultimo beijo me dar.
“Saia de perto, vá logo embora” foi o que eu disse, não consegui evitar. A raiva era enorme, mas o amor ainda estava lá. Ele não soube valorizar.
“Tu é um baita mentiroso” foi o que eu disse, quando lembrei que ele disse que pra sempre me amaria, que nunca me deixaria. Me coloquei a chorar. Chorei e chorei, mais do que podia, mais do que deveria. Chorei na frente dele, pelas costas dele. Quebrei nossa promessa. Mas todas as promessas tinham sido quebradas naquele dia. Até as mais mórbidas.
“Por que não pergunta pra mim, se estou bem?” foi o que eu disse, quando soube que ele perguntou de mim, pra uma amiga. Senti tanta raiva na hora, que nem pensei... Na verdade, pensar era o que eu menos fazia naquela época.
“Queria muito que tu conversasse comigo” foi o que eu disse, quando já não aguentava mais da saudade... Tentei falar como estava meu coração... Sufocado pelo amor que ele tinha deixado em mim, mas não consegui ser ouvida.
“Lembro da tua voz dizendo que me amava... Por que tu me deixou?” foi o que eu disse, quando vi que logo teria que gritar aos ventos o que eu sentia. Eu não aguentava mais. Fui ignorada de novo, então desisti.
Hoje estou aqui, sem falar nada, quieta. E assim está melhor. Sei que esse amor que vive em mim, nunca vai ir embora. Mas desde que ele fique quietinho no canto dele, não me importo em ser seu abrigo. 

Um comentário:

  1. O início do texto soava como uma locomotiva disparada em direção ao vazio ou algo parecido. A parte central, demonstrou os fatos reais e a dor ao sentir isso.. Tal dor que de tão grande, só poderia ser amenizada se posta em palavras. O fim.. Épico como eu esperava que fosse. Um abrigo de criaturas desconhecidas. Um conforto para as lágrimas. Um abrigo para quem não tem mais onde dormir.
    Sem mais. Parabéns!

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